Fruto da mais genuína manifestação popular, o artesanato ainda guarda características de seus primeiros artesãos, os índios que habitavam o território cearense no período pré-colonial. De lá para cá as técnicas foram passadas de pai para filho.
Segundo os especialistas, deve-se aos padres jesuítas a primeira fixação de técnicas artesanais e sua transmissão para as gerações posteriores, através do processo regular de ensino. O colonizador europeu também participou deste processo, introduzindo a arte de trabalhar com o couro.
A criatividade e a simplicidade do artesão cearense também podem ser vistas em trabalhos em renda de bilro, labirintos, madeira e barro. Em comum, os trabalhos guardam uma beleza que ultrapassa o tempo.
Entre as técnicas usadas no Estado destacam-se:
Renda
Instrumentos: bilros e alfinetes de cabeça ou, quase sempre, o espinho do coradeiro ou mandacaru, almofada.
Núcleos Produtores: Na própria residência das artesãs, na faixa litorânea.
Labirinto
Instrumentos: tecido preso a uma grade de madeira, alfinetes, agulhas e linha.
Núcleos Produtores: Na própria residência das artesãs, na faixa litorânea.
Cestaria e traçado
Matérias-primas: bambu (taquara, para fazer bicas e calhas; taquara, para fazer cestas; taquari para fazer gaiolas; tábuas para fazer foguetes, apanhar olho de carnaúba e fazer pífaros);
Cipó (mais resistente que o talo, para fazer caçuá; sobre o jumento vai a cangalha e sobre esta, o caçuá).
Núcleos Produtores: Sobral, Russas, Limoeiro do Norte, Jaguaruana, Aracati, Massapê, Crateús, Baturité e Camocim.
Cerâmica (utilitária e lúdica)
Principais núcleos: Fortaleza, Cascavel, Ipú e Juazeiro do Norte.
Principais peças: quartinha, jarra, pote, gamela, prato, filtro, bacia, jarro, mealheiro, capitação-de-pé-de-cana, bule e balaia (utilitárias), decorativas e lúdicas (bonecos de barro, jangada, etc).
Couro
Produtos vendidos em maior escala: alpercatas, sandálias, sapatos, calçados de um modo geral.
Pontos de Venda: feiras do interior e Centros de comercialização da capital
Produtos mais tradicionais e típicos: roupas e arreios, chapéu, gibão, peitoral, luvas, perneiras, sapatos, selas.
Pontos de Venda: pequenas oficinas das zonas urbanas de regiões pecuárias, tais como; Aracoiaba, Itapiúna, Crato, Morada Nova e Jaguaribe.
Outros produtos: cintos, malas, objetos decorativos, pirogravuras, penduricalhos, tapetes, cortinas.
Núcleos produtores: Fortaleza, Jaguaribe e Juazeiro do Norte.
Tecelagem
Principal produto: redes (utilitário e decorativo)
Técnicas: com roca e fuso e rudimentarmente
Núcleos produtores: Fortaleza e Jaguaribe.
Metal
Ramos: lataria, ferraria, serralheria, cutelaria
Produtos: balde, caneca, bacia, copo, ralador, candeeiro, caçarola, lamparina, foices, dobradiças, armadores de rede, chocalhos para o gado, estribos, ferraduras, esquadrias, portões, espingardas “passarinheiras”, etc.
Núcleos produtores: Juazeiro do Norte, Fortaleza.
Madeira
Ferramentas: utensílios básicos de marcenaria
Produtos: móveis, desde os mais simples e rústicos até os mais finos, maquinaria de engenhos, tonéis, talhas e esculturas.
Núcleos Produtores: Fortaleza, Canindé, Cascavel, Juazeiro do Norte (mobiliário), Barbalha (maquinaria de engenhos de cana), Fortaleza (talhas e esculturas).
Artes Gráficas
Principal produto: xilogravura para ilustração de capas de folhetos de cordel, na figura de cantadores, vaqueiros, cangaceiros, bois, aves e animais de nossa fauna, muito encontrado nas feiras nordestinas.
Imaginários
Prova concreta da paixão do povo cearense por suas crenças e seus santos.
Produtos: imagem de santos e ex-votos.
Núcleos Produtores: Juazeiro do Norte e Canindé, dois Centros que destacam-se como locais de peregrinação místico religiosa.
Lembranças
Produtos comumente encontrados na orla marítima de Fortaleza e nas lojas dos Centros turísticos: jangadas em miniatura, objetos de tartaruga e de adorno em geral. |